Bia

     Meu nome é Beatriz Leal, mas sou conhecida como Bia pelos mais próximos. Atualmente, tenho trinta e cinco anos e sou médica, uma profissão que escolhi com paixão e dedicação. Além disso, sou assumidamente uma chocólatra, sempre em busca da próxima delícia de cacau.

     Minha jornada é marcada por um turbilhão de emoções, que me fizeram crescer e evoluir como pessoa. Vivenciei amores e decepções, enfrentando cada desafio de cabeça erguida. Essas experiências, sejam elas boas ou ruins, moldaram a pessoa que sou hoje.

     Tudo começou na minha infância, em uma pequena cidade do interior onde a vida era tranquila e todos se conheciam. Tínhamos a liberdade de brincar até tarde na rua, sem a preocupação com a violência que assola os dias de hoje. Fui abençoada com uma infância simples, mas repleta de felicidade. Meus companheiros de aventuras eram Gabriel e Lucinda, carinhosamente conhecidos como Biel e Luci. Éramos inseparáveis, formando um trio inseparável.

     As memórias mais queridas da minha infância estão entrelaçadas com a casa da minha mãe. Sinto saudades das manhãs ensolaradas de primavera, quando íamos colher flores do campo juntas. E as tardes escaldantes de verão, onde nos refrescávamos no rio com Biel e Luci, são lembranças que aquecem meu coração. Brincávamos até o sol se pôr, e depois nos reuníamos ao redor de uma fogueira, sonhando acordados e contemplando as estrelas até a chegada dos nossos pais.

     Lembro com carinho das manhãs frias de inverno, quando acordava ao aroma de algum bolo delicioso que minha mãe havia preparado. O bolo de cenoura com a generosa cobertura de calda de chocolate era meu favorito. E também recordo das tardes geladas, quando Biel, Luci e eu nos divertíamos assistindo televisão, jogando jogos de tabuleiro ou cartas, estudando e deixando a imaginação correr solta. Eu sempre assumia o papel de médica, Luci era minha paciente e Biel, o enfermeiro. Eram momentos mágicos e inesquecíveis da minha infância.

     Luci não era apenas minha prima, mas também minha melhor amiga e confidente. O pai dela desempenhou um papel fundamental após a perda do meu pai, e isso estreitou ainda mais nossos laços, tornando-a minha irmã de coração.

     Minha mãe, um verdadeiro exemplo de mulher e ser humano, sempre foi minha inspiração. Ela era uma pessoa de grande determinação, que valorizava as coisas simples da vida. Foi ela quem me ensinou a fazer a receita secreta do bolo de cenoura que tanto amo. Meu pai, por sua vez, foi uma figura marcante em minha vida. Embora tenha abdicado dos estudos para cuidar dos irmãos, sempre encontrava maneiras de ajudar os outros. Era um homem bom, dedicado como pai e marido, e compartilhava comigo a paixão por observar as estrelas, frequentemente me levando para fora de casa para admirá-las e ensinando-me a identificá-las como ponto de orientação.

     Minha vida era perfeita para mim, repleta de uma família maravilhosa, amigos queridos e um futuro promissor. No entanto, um dia tudo mudou. Lembro-me vividamente daquele dia, enquanto brincava com Biel e Luci. O telefone tocou, e vi minha mãe paralisada, logo em seguida desabando em lágrimas. Não compreendia completamente o que estava acontecendo, mas sabia que era algo terrível que alteraria o curso das nossas vidas.

     Tentei confortar minha mãe, mas ela apenas me abraçava com força, prometendo que ficaríamos bem. Foi então que ela me contou a trágica notícia: meu pai havia sofrido um acidente fatal no trabalho.

     Os dias seguintes foram marcados por um velório e enterro que se tornaram momentos de grande dor e tristeza para mim. Biel e Luci permaneceram ao meu lado o tempo todo, oferecendo o apoio e a presença que tanto precisava. Levaria um tempo até que conseguisse encontrar novamente a alegria após a perda do meu pai.

     A ausência dele foi amenizada pela contemplação das estrelas durante as noites solitárias. Com o passar dos anos, redobrei meu empenho nos estudos, alimentando o desejo de seguir a carreira na medicina e assim honrar o sonho do meu pai.

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